Como prescrever exercícios no Diabetes

Insulina, dieta e exercício são conhecidos como a tríade para o bom tratamento do diabetes segundo Joslin, um importante cientista norte-americano que dedicou sua vida ao tratamento de diabéticos.

Esses três pontos, aliados ao conhecimento da doença, são essenciais para aproximar a qualidade de vida desses pacientes à dos indivíduos sem a doença.

Para os pacientes portadores de diabetes mellitus, a prescrição do exercício deve ser precedida de uma cuidadosa história médica (anamnese) e de um exame físico minucioso, focalizando os sinais e sintomas de doenças nos vasos (macro/microangiopatias) e neuropatias, e de uma avaliação física específica. Essa última tem como objetivo determinar o estágio de condicionamento físico do paciente.

Preparar um indivíduo com diabetes para a realização de um programa de exercícios seguro e confortável é tão importante quanto o exercício em si.

Os exercícios devem ser prescritos de forma individualizada, para evitar riscos e potencializar os benefícios, sempre levando em consideração a idade, o controle metabólico, o nível de condicionamento físico, o tempo de diagnóstico e manifestações de complicações agudas e crônicas.

O importante para a adesão ao programa de exercícios é que os pacientes com diabetes realizem exercícios que tenham uma maior afinidade, de preferência sob orientação de profissionais qualificados. A intensidade, a duração e o tipo de exercício devem ser adequados para que se obtenha sucesso no tratamento, que também engloba o medicamentoso e o nutricional.

De acordo com a intensidade e a duração executadas, podemos estimar o substrato energético (carboidratos ou gorduras) utilizado durante a prática do exercício físico. No decorrer da prática da atividade física, à medida que se aumenta a intensidade, cresce a necessidade de oxigênio pelos músculos exercitados.

Nos exercícios contínuos e prolongados, o sistema energético predominante é o aeróbio que, para funcionar adequadamente, necessita de um sistema cardiorrespiratório eficiente, isto é, boa capacidade respiratória celular e perfusão tecidual periférica suficiente. O substrato principal nesse sistema são os ácidos graxos livres (gordura). Já nos exercícios de curta duração e alta intensidade, como os exercícios resistidos, o substrato principal são os carboidratos (glicose) e esses exercícios ajudam no desenvolvimento do sistema músculo-esquelético dos portadores.

A pessoa com diabetes pode, no entanto, atingir níveis incríveis de conquistas físicas e há exemplos excepcionais disso na maioria dos esportes universitários, profissionais e olímpicos. Apesar de parecerem estratégias simples, é o ajuste fino dessas ações que determina o sucesso ou o fracasso do programa de exercícios.

Com essa preocupação, o Fleury disponibiliza, de forma inovadora, o Diabetes Fitness, um serviço que orienta e prescreve um programa de exercício individualizado. Para que haja segurança na orientação, o programa é composto por exames de controle do diabetes (glicose e hemoglobina glicada) e da função do rim (creatinina e microalbuminúria), avaliações físicas propriamente ditas (peso, cintura e composição corporal), condições das articulações, estado dos pés, exame de fundo de olho e teste cardiopulmonar.

Prof. Ms. William Ricardo Komatsu é preparador físico do serviço de Diabetes Fitness do Fleury,  Doutorando em Ciências Endocrinológicas pela UNIFESP

Atividade Física e Diabetes

De maneira geral a atividade física tem efeitos fisiológicos contrários ao do sedentarismo. A composição corporal tende a piorar no sedentarismo devido ao aumento do tecido adiposo e redução de massa óssea e da massa muscular.

Todas as qualidades de aptidão física tendem a apresentar redução em seus níveis nas pessoas sedentárias, dificultando atividade diária e reduzindo bem estar psicológico e social. O fato dos efeitos do sedentarismo ser lentamente instalados, explica por que as pessoas sedentárias não costumam ter consciência de seus malefícios. Por outro lado, as pessoas idosas sentem os efeitos do sedentarismo nas limitações que encontram para a vida diária, e nas doenças crônicas manifestadas.

A atividade física é atualmente reconhecida como um importante fator promotor de saúde em todas as idades. Estudos epidemiológicos evidenciam que as populações fisicamente ativas têm menor incidência de doenças crônicas, entre elas a hipertensão, arterial, obesidade, diabetes tipo II, dislipidemia, osteoporose, sarcopenia, ansiedade e depressão. Consequentemente diminui a ocorrência de aterosclerose e suas conseqüências: doença coronariana, doença cérebro-vascular e doença vascular periférica.

Os efeitos positivos conhecidos da atividade física ocorrem devido a alguns mecanismos conhecidos e outros ainda pouco compreendidos. Entre eles estão o aumento do HDL-colesterol, redução dos triglicerídios, redução da pressão arterial de repouso, aumento da sensibilidade das células à insulina (Diabetes), maior gasto calórico, melhora da força muscular, melhora da estabilidade articular dinâmica.

O importante é que a menor incidência de doenças sistêmicas crônicas parece ter efeito comum em qualquer tipo de atividade física, pois a relação de melhora está ligada diretamente com o gato calórico, ou seja, quanto mais calorias forem gastas em atividade física habitual maiores serão os benefícios para a saúde.

O tipo de atividade física/exercício escolhido ou indicado para cada pessoa deve ser feito de acordo com alguns critérios: Faixa etária (criança, adulto, idoso), Sedentário, praticante de atividade física ou doenças pré-existentes.

E o objetivo de cada indivíduo dentro de um programa de atividade física deve ser levado em consideração, já que alguns têm um objetivo só de melhora da atividade de vida diária e outros em atividades de competição, mas todos sempre vão ter melhora da qualidade de vida que será o bem comum.

Ivaldo Camargo – Fisioterapeuta da Clínica Ortocity Serviços Médicos