Monitoração das glicemias: garantia do controle do diabetes

A melhor imagem para definir o diabetes, que eu tenho na lembrança, é a de um grande iceberg. Quando olhamos para uma ponta de gelo que parece flutuar num mar gelado, não imaginamos que, submerso e praticamente imperceptível, uma grande rocha gelada dá continuidade a ele, alcançando proporções jamais pensadas quando observamos sua extremidade para fora da água. Assim é o diabetes e sua ponta, sua parte perceptível é o açúcar no sangue, a glicose no sangue ou glicemia.

Há muito tempo já sabemos que a maioria das complicações do diabetes ocorre devido aos níveis elevados da glicose no sangue. Diariamente, as elevações glicêmicas vão causando lesões irreparáveis nas células do paciente com diabetes, causando perda de funções importantes. Isso ocorre com a retina causando a cegueira, passando pelas coronárias levando ao infarto, o rim também é afetado, causando a insuficiência renal… Enfim, todos os tecidos e células são afetados e podem ser acometidos por lesões que cronicamente levam à perda das funções de todos eles.

Então nos parece óbvio que através do controle da glicemia, conseguiremos deter o processo da doença. Mas o grande problema que enfrentamos ao tentar controlar a glicemia é que ela é extremamente variável. Sobe e desce várias vezes durante as 24 horas do dia, em função da alimentação, principalmente do seu conteúdo em carboidratos – do tempo de jejum, da atividade física, do estresse – físico ou psíquico – e até mesmo em função das próprias oscilações hormonais fisiológicas que ocorrem durante o dia.

Logo, os pacientes diabéticos precisam entender que não dá para medir a glicemia apenas em jejum, nem muito menos uma vez ao mês ou a cada 3 meses como muitos ainda fazem. Precisamos saber dos valores da glicemia diariamente. No meio da madrugada, uma vez que entre 2 e 4 horas, os valores de glicemia são os mais baixos; antes e após as várias refeições diárias, principalmente após 2 horas de cada uma delas. Muitas vezes, basta uma medida diária, desde que ela seja feita em horários diferentes todos os dias, fazendo um rodízio que nos permite saber como está o controle glicêmico durante o dia todo.

Dessa forma, passamos a utilizar a medição da glicemia como forma de aferir a eficiência do tratamento e o grau de compensação metabólica. Essa aferição passou a ser o nosso grande trunfo, uma forma de avaliarmos se o nosso tratamento está sendo eficaz e de evitarmos as complicações crônicas da doença. Esse argumento se baseia no fato de não haver sintomas da descompensação antes que ela seja extremada. Os pacientes geralmente nada sentem antes que sua glicemia alcance valores de 180mg/dL ou mais. Acima desses valores, eles começam a urinar mais e a sentirem as conseqüências da hiperglicemia como a perda de potássio, dores nas pernas, sede intensa e muita fraqueza. Entretanto, entre 100 e 180mg/dL, os pacientes nada sentem, podem inclusive achar que estão muito bem e que não há motivos para tanto rigor. Ledo engano. Com glicemias nesse intervalo, mesmo sem sintomas, os pacientes estão vulneráveis às complicações crônicas que lentamente lhes tiram a normalidade e a potencialidade da vida.

Um outro extremo dos valores da glicemia é a chamada hipoglicemia, a queda perigosa do açúcar no sangue e que desencadeia sintomas muito desconfortantes como palpitações, tremores, sudorese profusa que praticamente molha a roupa do paciente, fome, irritabilidade, confusão mental e perda da consciência, o chamado coma hipoglicêmico. Esses sintomas são mais ou menos intensos na medida da intensidade e da velocidade da queda da glicemia, sendo mais suaves nas quedas leves do açúcar e mais graves quanto menores os níveis glicêmicos. Entretanto, muitas vezes, as hipoglicemias ocorrem durante o sono noturno e não são percebidas pelo paciente, sendo esse fenômeno muito arriscado em crianças e idosos, uma vez que estes pacientes podem sofrer crises convulsivas, perder a consciência e sofrer lesões cerebrais irreversíveis durante esses episódios.

O que salva a maioria dos pacientes é que muitos deles têm a capacidade de detectar quando sua glicemia começa a cair, sentem-se mal antes que os níveis de açúcar caiam muito e podem compensar a queda através da ingestão de alimentos contendo carboidratos, mas isso não acontece com todos. Muitos pacientes chegam a apresentar valores de glicemias muito baixos sem nada sentirem e quando passam a sentir alguma alteração, os valores já são muito baixos e a perda da consciência é inevitável, podendo estar ele dirigindo, numa reunião de trabalho, sozinhos, em casa ou na rua. Também aqui a monitorização das glicemias é útil, pois geralmente consegue detectar uma certa tendência a baixas glicemias, em determinado período do dia, permitindo a correção da dose da insulina ou dos medicamentos orais, bem como um rearranjo da alimentação.

Após a descoberta da insulina em 1922, pensamos ter descoberto a cura do diabetes. Com o passar do tempo, descobrimos que apenas conseguimos prolongar a vida dos pacientes diabéticos e passamos a conhecer as complicações crônicas relacionadas à doença. A maioria delas relacionadas às glicemias elevadas cronicamente: a retinopatia causando a cegueira, a nefropatia causando a insuficiência renal e a neuropatia causando as lesões neurológicas responsáveis pelas dores e formigamentos no membros inferiores. Logo, descobrimos que tratávamos o diabetes, mas não conseguíamos evitar as elevações glicêmicas crônicas e essas passavam despercebidas. Estávamos acostumados a medir apenas uma glicemia de jejum esporadicamente e isso não era suficiente.

É impossível nos guiarmos apenas pelos sintomas de alta de glicose no sangue. Muitas vezes, estar bem não significa necessariamente estar compensado. O paciente pode estar assintomático com glicemia de 160mg/dL e já sabermos que ele não está bem, pois esses valores de glicemia são responsáveis pela ocorrência das complicações crônicas que tanto arriscam sua saúde. Em outros casos, ele pode apresentar glicemia de 60mg/dL e nem por isso sentir os sintomas que denunciam seu risco de hipoglicemia grave. Logo, precisamos da monitorização das glicemias para que consigamos livrar os pacientes das complicações agudas da hipoglicemia e das complicações crônicas da hiperglicemia.

Há cerca de 25 anos foi lançado no Brasil o primeiro glicosímetro desenvolvido para medir as glicemias dos pacientes em casa. Até então, as glicemias eram inferidas através da medição do açúcar na urina. Essa medição era cheia de falhas uma vez que a urina eliminada era coletada na bexiga durante muitas horas e espelhava vários momentos da glicose sanguínea. Além disso, a glicose do sangue só passa para a urina quando seus valores sanguíneos ultrapassam 180mg/dL e esse valor já é muito elevado para definir que a glicosúria é positiva e que precisamos rever o tratamento. Isso deveria acontecer muito antes. Por isso, a descoberta dos aparelhos de medição de glicemias foi um grande passo da ciência no sentido do controle metabólico dos pacientes diabéticos. Hoje, esses aparelhos cabem dentro de nossa mão, têm várias funções associadas, armazenam dados, acionam alarme nos extremos glicêmicos de risco e, recentemente, puderam ser implantados no subcutâneo, garantindo a monitorização contínua, a nova tendência de controle glicêmico.

Pacientes diabéticos, de todas as idades, usando ou não insulina devem medir suas glicemias em casa. Quando compensados, devem fazer apenas uma medida diária de glicemias em horários diferentes, todos os dias, de maneira a realizarem um rodízio de glicemias antes e 2 horas depois das refeições. Nas fases de descompensação, nos períodos de mudança de medicamentos ou da dose de insulina e nos pacientes insulino dependentes em uso de bombas de infusão ou esquemas insulínicos com várias picadas, as medições devem ser realizadas várias vezes ao dia. Sempre que buscamos um controle glicêmico ideal, só conseguiremos alcançá-lo com menos risco de hipoglicemias quando medirmos a glicemia várias vezes ao dia. As glicemias em jejum e pré refeições idealmente devem ser em torno de 100mg/dL e as glicemias 2 horas pós as refeições não devem ultrapassar 150mg/dL.

Atualmente, para a grande maioria dos pacientes, a monitorização glicêmica ainda requer a colheita de um gota de sangue através de punção digital, mas tudo isso vai mudar muito nos próximos anos. Vários novos aparelhos vêm sendo desenvolvidos para a aferição da glicemia através da inserção de um fino catéter que permanece implantado no subcutêneo do paciente, capaz de informar continuamente os valores do seu açúcar no sangue. Alguns laboratórios já realizam a monitorização glicêmica de 12, 24 ou mais horas através desse dispositivo. Mas, em pouco tempo, todos os pacientes diabéticos terão o seu e muitos deles podem vir acoplados a uma bomba de infusão de insulina cuja velocidade de infusão do hormônio pode ser modificada de acordo com a dosagem glicêmica em tempo real, o que facilitará a vida destas pessoas.

A monitorização glicêmica nos permite utilizar com segurança a dose correta de insulina para cada refeição, flexibilizando-a e tornando a vida dos pacientes diabéticos mais fácil e seu tratamento mais eficiente e seguro.

Disfunção Erétil e Diabetes

Devido este tema ter sido abordado recentemente na Comunidade Diabetes Brasil, acredito ser importante aproveitarmos esta semana de temas relacionados à saúde para falarmos também da disfunção erétil, ou impotência sexual masculina.

Muitas pessoas ainda hoje dizem que não tem como um portador de diabetes um dia não ser sexualmente impotente. É uma inverdade.

Disfunção erétil é a incapacidade do homem de manter uma ereção peniana por tempo suficiente para que tenha uma relação sexual satisfatória para ele e sua(seu) parceira(o).

Claro que quem tem diabetes em descontrole glicêmico corre o sério risco de desenvolver neuropatia diabética que afete a vascularização e enervação da região peniana configurando a impotência sexual.

Quem controla rigidamente a sua glicemia tem os mesmos índices de probabilidade de desenvolver uma disfunção erétil de quem não tem diabetes. O grande problema é o descontrole glicêmico. Ter diabetes em sí não configura nenhuma condenação à impotência sexual.

Normalmente após 5 anos do diagnóstico do diabetes, há um risco aumentado de desenvolver as ‘patias’ se o controle glicêmico não tiver sido rígido. Então, é consenso médico a recomendação de que após o quinto ano de diagnóstico de DM deva-se procurar médicos especialistas para prevenirmos essas ‘patias’. Porém, muitas vezes a descoberta do diagnóstico é tardia – principalmente nos casos de diabetes do tipo 2 – e quando ele é percebido já está associado a alguma complicação do descontrole glicêmico, incluindo a impotência sexual.

Há homens que só descobrem o diabetes por causa da impotência sexual. Pode não ser tarde para tratar dependendo do indivíduo e do tratamento que recebe, mas é sempre muito melhor prevenir do que correr atrás do prejuízo, não é mesmo?

Muitos homens portadores de diabetes acabam preferindo se consultar com um urologista e ingressar num tratamento para a impotência sexual, mas não se preocupam com o controle glicêmico. É a mesma coisa de você completar o tanque do carro com combustível, mas não se importar que ele tem um furo e o combustível vazará todo. O problema em si não é o tanque vazio, mas o furo que há nele.

A mesma coisa ocorre com quem tem neuropatia diabética que afeta a função sexual. O problema é o descontrole glicêmico e não a falta de ereção em sí. Dependendo do estágio em que está o problema, apenas o controle glicêmico rigoroso já é tratamento suficiente para a reconquista da potência sexual. Em outros casos não e necessita de um tratamento multidisciplinar envolvendo o endocrinologista e o urologista, pelo menos.

Imagine um encontro romântico desejado há muito tempo e na ‘hora H’, as coisas não funcionam como era esperado. Decepção generalizada. Então, para não ter nenhum constrangimento desse tipo, independente de você ter ou não diabetes, consulte um médico e faça um check up que inclua a medição da glicemia.

A disfunção erétil pode ter outras causas além da neuropatia diabética. Pode envolver o lado emocional do indivíduo necessitando de um acompanhamento psicológico ou ainda ser referente a um desequilíbrio hormonal com pouca produção de testosterona – o hormônio masculino responsável pela libido. Nesse caso, um exame de sangue específico pode diagnosticar o problema.

Além desses motivos, há também comportamentos que favorecem o surgimento da disfunção erétil como o consumo de álcool, cigarro, drogas, colesterol elevado, medicamentos para depressão e traumas entre outros.

Mas será que só os homens têm impotência sexual?

É o que descobriremos amanhã.

Beijos e até lá!

Diabetes gestacional: riscos para o bebê

Ontem vimos que o diabetes gestacional apresenta alguns sintomas que são muito comuns no diabetes mellitus (sede, fome excessiva, aumento da micção, entre outros). No entanto pode acontecer de forma assintomática. Por isso a necessidade de um pré-natal muito bem acompanhado e rico em exames para diagnosticar quaisquer anormalidades. Principalmente as anormalidades glicêmicas da gestante.

Os níveis glicêmicos aumentados durante a gravidez podem levar o feto à morte antes mesmo do parto, pois podem elevar o nível do líquido amniótico aumentando o risco de morte e comprometendo a vitalidade do recém-nascido.

A hiperglicemia da gestante pode ainda dificultar o parto, necessitando de intervenção cirúrgica como a cesárea, já que o feto pode ser macrossômico.

Macrossômico é o termo utilizado pelos médicos para identificar um bebê que nasce acima dos 4 quilos por exposição excessiva à glicose da mãe.

Logo após o nascimento, há o grande risco de o bebê ter uma hipoglicemia. Isso pode ocorrer porque durante a gestação, o feto teve que produzir quantidades aumentadas de insulina para equilibrar os níveis elevados de glicose da mãe. Antes de haver o ajuste pela independência do corpo da mãe, o pâncreas do bebê pode ainda produzir insulina excessiva. É um quadro chamado de hipoglicemia pós-natal. Normalmente o ajuste se dá em menos de 24 horas e o bebê começa a ter as taxas de insulina endógena produzidas de forma adequada. Porém outros desequilíbrios químicos podem acontecer pós-parto e de forma temporária, necessitando de rigoroso monitoramento médico para verificar principalmente as taxas de cálcio e de glóbulos vermelhos no bebê.

As chances de desenvolver o diabetes do tipo 2 são aumentadas em crianças cujas mães tiveram diabetes gestacional. Por isso, exames regulares serão necessários por toda a vida para diagnosticar o primeiro desequilíbrio glicêmico logo no começo e começar a tratá-lo.

As mães que tiveram diabetes gestacional, já receberam um ‘recado’ de seu pâncreas alertando que ele não tem condições de produzir insulina extra em caso de necessidade. Então deve manter acompanhamento endocrinológico mesmo após o parto, pois torna-se também potencialmente mais suscetível a desenvolver o diabetes do tipo 2.

As futuras gestações também tornam-se de risco e com grandes possibilidade de serem novamente hiperglicêmicas.

Por isso o cuidado com a saúde deve ser sempre! Não se descuide!

Um grande beijo e até a semana que vem quando abordaremos a Disfunção Erétil.

Até lá!

Diabetes Gestacional

O diabetes gestacional é quando a futura mãe começa a apresentar taxas mais altas de glicose no sangue. 14% das grávidas no mundo apresentam diabetes gestacional.

Uma vez que o diabetes gestacional é identificado, acompanhará a gestante durante toda a gravidez e, na maioria das mulheres, as alterações glicêmicas desaparecem com o fim da gravidez, porém as que tiveram diabetes gestacional apresentam maior risco de desenvolver o diabetes do tipo 2 no decorrer da vida.

A incidência menor de diabetes gestacional se dá nas mulheres caucasianas. Constata-se maior incidência nas mulheres negras, nas latinas e nas asiáticas.

Causa do diabetes gestacional

O diabetes gestacional acontece porque em algumas mulheres, durante a gravidez quando aumenta a produção do hormônio GH – hormônio do crescimento – entre outros hormônios produzidos nesse período, tornam o corpo mais resistente aos efeitos da insulina. A maioria das mulheres reagem de forma natural a essa resistência e o pâncreas passa a produzir insulina extra para combater essa resistência, mas quando a insulina extra não é produzida em quantidade suficiente, diagnostica-se o diabetes gestacional pelo acúmulo da glicose na circulação sanguínea. O período de maior vulnerabilidade ao diabetes gestacional se dá no último trimestre da gravidez.

Sintomas do diabetes gestacional

A gestante passa a ter os mesmos sintomas que um portador de diabetes descompensado tem:

  • Aumento da sede;
  • Aumento da diurese, por isso urina com mais frequência;
  • Perda de peso;
  • Elevação do apetite;
  • Cansaço;
  • Náuseas e/ou vômitos;
  • Infecções por fungos, como a candidíase vaginal, por exemplo;
  • Visão turva.

Como são sintomas que a maioria das grávidas têm sem necessariamente desenvolver o diabetes na gestação, é necessário haver um acompanhamento médico muito intenso para que exames sejam sempre feitos a fim de poder identificar o que é um desconforto comum para o quadro gestacional, de um desequilíbrio glicêmico que diagnostica o diabetes gestacional.

Durante a gravidez é comum que a glicose se mostre 20% abaixo do que é normal nas mulheres não grávidas, pois o feto absorve parte da glicose sanguínea da mãe. Assim, se a glicemia da grávida mostrar-se mesmo que ligeiramente elevada para o quadro de gestação, já é motivo para haver desconfiança de diagnóstico.

Há prevenção?

Infelizmente não há como prevenir o diabetes gestacional. O sobrepeso torna-se um fator de propensão ao quadro, sendo que o controle rigoroso do peso antes e durante a gravidez pode reduzir o risco.

Qual o tratamento?

O tratamento inicial é sempre feito com prescrição de dieta alimentar, mas se ainda não for suficiente, o médico prescreverá insulina já que os hipoglicemiantes orais são contra-indicados durante a gravidez.

Depois de amanhã saberemos quais são os riscos para o feto cuja mãe apresenta diabetes gestacional.

Super beijo e até lá!

Check-up médico no diabetes

Olá, amigos e amigas! Foram bem de final de semana? Aqui está tudo ótimo!

Nesta semana vamos focar a importância do Check Up Médico. Muitas pessoas resistem muito até ir ao médico e só vão quando estão se sentindo mal, com muita dor ou algum problema mais sério.

O ideal é lidarmos com a prevenção. Nada mais preventivo do que o Check Up Médico. Não é necessário passar por todas as especialidades médicas, mas é bom anualmente procurarmos um médico Clínico Geral para que prescreva exames específicos baseado em nossa descrição de condição física.

Quem ConVive com o Diabetes pode solicitar ao Endocrinologista que esses exames sejam prescritos anualmente, além daqueles que já fazemos periodicamente para o controle da glicemia como Glicose, Hemoglobina Glicosilada, Frutosamina, Uréia, Potássio e os de Urina.

Dados afirmam que as principais causas de óbito no Brasil estão relacionadas aos problemas cardiovasculares como infarto, hipertensão arterial, AVC (derrame cerebral), insuficiência cardíaca e, aneurisma entre outros, principalmente porque o estilo de vida moderno repleto de compromissos, stress e agitação amplia as chances dessas doenças surgirem surpreendendo principalmente quem não se cuida… quem não faz um check up há muito tempo.

A principal função do Check Up Médico é detectar pontos fracos no organismo e com o tratamento correto fortalecê-los diminuindo as chances de um acometimento de doença.

Em meados de 2008 começaram a surgir os primeiros sintomas da insuficiência renal crônica no meu marido. Antes disso, não sabíamos exatamente o que significavam os episódios de fraqueza nele. O inchaço nos tornozelos eram sempre explicados pelos médicos como relacionado à hipertensão arterial e logo tratavam de prescrever diuréticos. Até o diagnóstico houve muito questionamento e sofrimento. Hoje já lidamos bem com a situação e caminhamos para o transplante.

Mas esse turbilhão de preocupações com a saúde dele acabaram tirando de foco a minha própria saúde. Atrasei exames anuais, mas mais importante do que lamentar é correr atrás do prejuízo. Então, vamos nos tratar juntos.

Hoje tenho marcada uma consulta com a alergista. Estou começando o meu check up com ela. Serão quase duas semanas de consultas com especialistas, pois eu já conheço os pontos fracos do meu corpo e sei quais são os especialistas que devo procurar. Quem ainda não conhece o próprio corpo ou ainda não deu a devida importância aos exames periódicos deve começar consultando um Clínico Geral que dará início a exames como o Hemograma Completo.

O Hemograma Completo deve ser colhido com 4 horas de jejum. É colhida uma amostra de sangue que ao ser examinada evidencia quaisquer alterações da série vermelha (hemácias, hemoglobina e hematócrito). Valores abaixo do normal podem indicar anemia e valores acima indicam o aumento da viscosidade do sangue podendo indicar até alterações na medula óssea.

O Hemograma Completo também fornece dados sobre as plaquetas e a série branca que são os leucócitos. Se os valores estiverem acima do normal podem indicar algum tipo de infecção bacteriana e valores diminuídos podem evidenciar uma infecção viral.

Amanhã conto como fluiu a consulta com a Alergista e quais foram os exames solicitados. Vamos colocar a saúde em dia. Me acompanham?

Beijos e até lá!

Olhos saudáveis

Olá, meus queridos. Espero que estejam todos muito bem!

Soubemos hoje que a irmã do meu marido está com conjuntivite. A maioria de nós já passou por isso e sabe que não é nada agradável.

Mas o que é conjuntivite?

Sabe aquela parte branquinha do olho? Chama-se esclera. Ela é coberta por uma película fininha chamada conjuntiva. A conjuntiva produz normalmente um muco que cobre e lubrifica todo o olho. A conjuntivite é a inflamação dessa membrana. A área afetada costuma ficar rosada ou mesmo avermelhada intensamente porque os pequenos vasos sanguíneos que existem ali, por causa da inflamação, se alargam tornando-se bastante evidentes e causam a vermelhidão característica do quadro de conjuntivite.

As conjuntivites podem ser de ordem alérgica, viral, bacteriana ou por irritação química. As conjuntivites virais e bacterianas são as únicas formas que contagiam.

Sintomas da conjuntivite

Os sintomas mais comuns num quadro de conjuntivite incluem a coceira, os olhos vermelhos, a sensibilidade à luz – fotofobia -, a sensação de areia nos olhos, inchaço nas pálpebras e excesso de secreção.

Evitando a conjuntivite

Para evitar o contágio da conjuntivite é necessário tomar cuidados de higiene, pois o mesmo se dá pelo contato físico do olho com as mãos que pegam em objetos… ou por banhos em piscinas coletivas ou o uso de toalhas contaminadas.

Então, além dos constantes ‘lavar de mãos’, deve-se ter uma toalha exclusiva para o uso de quem está com conjuntivite a fim de não transformar um quadro isolado em uma verdadeira epidemia acometendo a todos os moradores da casa, colegas de escola ou de trabalho, etc.

O lavar das mãos deve ser cauteloso sempre utilizando sabão e enxaguando em água corrente. Não esqueça de lavar entre os dedos e as costas das mãos.

Um simples aperto de mãos pode se transformar em uma conjuntivite. Por isso, sempre que voltar da rua, que cumprimentar pessoas, pegar em dinheiro, tocar em objetos públicos como bancos de ônibus, canetas emprestadas, maçanetas, corrimões, botões de elevador, etc… lave as mãos com muita atenção para eliminar junto com a poeira das grandes cidades, quaisquer germes, vírus e bactérias que coloquem a saúde dos seus olhos em risco.

Tratando a conjuntivite

Como cada caso é um caso sempre, é necessário consultar um oftalmologista para que haja o correto diagnóstico e o mais eficiente tratamento. Nem sempre a vermelhidão dos olhos representa um quadro de conjuntivite. Somente o médico poderá identificar o que está acontecendo.

A conjuntivite também atinge às crianças. Os cuidados são praticamente os mesmos de um adulto. Deve-se, porém ressaltar a necessidade de profilaxia e faça com que a criança lave as mãos várias vezes ao dia, com sabonete e, de preferência, usar um papel toalha para secá-las ao invés da tradicional toalha de rosto.

Todos devemos nos policiar para evitar que as mãos fiquem indo aos olhos.

Para retirar a secreção que tanto incomoda, deve-se utilizar gaze descartável embebida em água filtrada. Além de auxiliar na limpeza, o frescor da água aliviará a ardência costumeira das conjuntivites.

Deixe a maquiagem guardada enquanto não sarar.

A conjuntivite dura, no máximo, até quinze dias. É o período em que, na maioria das vezes, o próprio organismo reage produzindo a cura e até dispensando uso de medicação.

Nesse período, até mesmo beijos e abraços devem ser evitados para não espalhar o contágio.

Você já teve conjuntivite? Lembra-se do que passou? O que tem feito para ficar longe dela? Melhoras pra Martha, irmã do meu marido. Beijos a todos e até amanhã!

Proteína de soja e ganho de massa muscular

Hoje, muitos produtos comerciais aproveitam as características oferecidas pela proteína de soja. A indústria de alimentos voltados para nutrição esportiva desenvolve seus produtos diante do desafio de proporcionar combinações de seus ingredientes para melhorar a performance, mas, ao mesmo tempo, ter sabor e apresentar textura e aparência atrativas.

Porém, percebe-se que os praticantes de atividade física evitam o consumo de proteína de soja devido à percepção de que esta seja inferior à proteína de origem animal no ganho de massa muscular, o que não é verdade.

Sabemos que, além de a proteína de soja promover um ganho de massa muscular semelhanteao da proteína do leite, ela contém antioxidantes, depletados durante o exercício, que podem não só ajudar no ganho de massa magra, mas também promover outros aspectos de saúde.

Outra noção que os esportistas têm é de que os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina) são os mais eficazes no aumento da massa muscular. Realmente, mesmo que todos os aminoácidos sejam essenciais, a leucina parece estimular um ganho de massa muscular mais eficiente do que os demais. Mas, embora as proteínas do soro do leite tenham maior quantidade de leucina do que a proteína de soja, não está claro se o consumo de produtos à base de soja. Além disso,  proteína de soja, em relação à proteína do soro do leite, é uma fonte mais rica de glutamina e arginina, aminoácidos importantes na síntese e recuperação muscular.

Um estudo recente comparou o consumo de proteínas do soro do leite com suplementos à base de proteína de soja em esportistas, por 9 semanas.

Os resultados mostraram que tanto o grupo que usou barras de proteínas de soja quanto o que usou barras de proteínas do soro do leite conseguiram um ganho de massa muscular, mas aqueles que utilizaram apenas soja obtiveram o benefício adicional de preservar a função antioxidante.

O exercício cria um stress oxidante que contribui para as dores, inflamação dos músculos e formação de radicais livres, e a proteína de soja pode acelerar a recuperação dos músculos após o treino. As isoflavonas da proteína de soja produzem esses efeitos antioxidantes, que podem ajudar a diminuir a dor e a inflamação e favorecer o retorno mais rápido dos atletas ao treinamento.

Deste modo, para indivíduos que fazem exercícios físicos, a proteína de soja pode e deve ser usada como uma fonte protéica de alta qualidade para ajudar a atender ao aumento da necessidade para o desenvolvimento físico e muscular.

Como prescrever exercícios no Diabetes

Insulina, dieta e exercício são conhecidos como a tríade para o bom tratamento do diabetes segundo Joslin, um importante cientista norte-americano que dedicou sua vida ao tratamento de diabéticos.

Esses três pontos, aliados ao conhecimento da doença, são essenciais para aproximar a qualidade de vida desses pacientes à dos indivíduos sem a doença.

Para os pacientes portadores de diabetes mellitus, a prescrição do exercício deve ser precedida de uma cuidadosa história médica (anamnese) e de um exame físico minucioso, focalizando os sinais e sintomas de doenças nos vasos (macro/microangiopatias) e neuropatias, e de uma avaliação física específica. Essa última tem como objetivo determinar o estágio de condicionamento físico do paciente.

Preparar um indivíduo com diabetes para a realização de um programa de exercícios seguro e confortável é tão importante quanto o exercício em si.

Os exercícios devem ser prescritos de forma individualizada, para evitar riscos e potencializar os benefícios, sempre levando em consideração a idade, o controle metabólico, o nível de condicionamento físico, o tempo de diagnóstico e manifestações de complicações agudas e crônicas.

O importante para a adesão ao programa de exercícios é que os pacientes com diabetes realizem exercícios que tenham uma maior afinidade, de preferência sob orientação de profissionais qualificados. A intensidade, a duração e o tipo de exercício devem ser adequados para que se obtenha sucesso no tratamento, que também engloba o medicamentoso e o nutricional.

De acordo com a intensidade e a duração executadas, podemos estimar o substrato energético (carboidratos ou gorduras) utilizado durante a prática do exercício físico. No decorrer da prática da atividade física, à medida que se aumenta a intensidade, cresce a necessidade de oxigênio pelos músculos exercitados.

Nos exercícios contínuos e prolongados, o sistema energético predominante é o aeróbio que, para funcionar adequadamente, necessita de um sistema cardiorrespiratório eficiente, isto é, boa capacidade respiratória celular e perfusão tecidual periférica suficiente. O substrato principal nesse sistema são os ácidos graxos livres (gordura). Já nos exercícios de curta duração e alta intensidade, como os exercícios resistidos, o substrato principal são os carboidratos (glicose) e esses exercícios ajudam no desenvolvimento do sistema músculo-esquelético dos portadores.

A pessoa com diabetes pode, no entanto, atingir níveis incríveis de conquistas físicas e há exemplos excepcionais disso na maioria dos esportes universitários, profissionais e olímpicos. Apesar de parecerem estratégias simples, é o ajuste fino dessas ações que determina o sucesso ou o fracasso do programa de exercícios.

Com essa preocupação, o Fleury disponibiliza, de forma inovadora, o Diabetes Fitness, um serviço que orienta e prescreve um programa de exercício individualizado. Para que haja segurança na orientação, o programa é composto por exames de controle do diabetes (glicose e hemoglobina glicada) e da função do rim (creatinina e microalbuminúria), avaliações físicas propriamente ditas (peso, cintura e composição corporal), condições das articulações, estado dos pés, exame de fundo de olho e teste cardiopulmonar.

Prof. Ms. William Ricardo Komatsu é preparador físico do serviço de Diabetes Fitness do Fleury,  Doutorando em Ciências Endocrinológicas pela UNIFESP

O que fazer em caso de hiperglicemia e hipoglicemia?

Saiba quais são os sintomas e como evitar casos de hipoglicemia e hiperglicemia. Se não atingir o equilíbrio, o portador de diabetes poderá ter uma hipoglicemia, que é um baixo nível de glicose no sangue, ou hiperglicemia, que é o aumento da taxa de glicose sanguínea após refeições.

Hipoglicemia

Quando uma pessoa apresenta a glicemia abaixo de 60 mg/dl, ela pode se queixar de fraqueza, tremores, suor, fome excessiva, tontura, dor de cabeça e dificuldade de concentração. Se os níveis forem ainda mais baixos, pode ocorrer o coma hipoglicêmico. Normalmente, a hipoglicemia é causada por falta de alimentação ou por comer nos horários incorretos, praticar exercícios físicos em excesso ou até mesmo por excesso de insulina e/ou medicamentos.

Se a pessoa estiver acordada, é indicado verificar a glicemia e depois ingerir uma porção de carboidrato, como um suco ou refrigerante não diet e descansar alguns minutos até melhorar. Após 15 minutos, é importante verificar a glicemia e caso o resultado seja inferior há 60 mg/dl, repita os passos anteriores.

Se a pessoa estiver inconsciente, é indicado procurar atendimento médico e administrar glucagon, hormônio que aumenta a glicose no sangue – isso pode ser feito por algum familiar treinado. Há pessoas que preferem manter os níveis de glicemia mais elevados, evitando assim a hipoglicemia.

Essa prática é prejudicial, pois pode acarretar complicações degenerativas.

Hiperglicemia

Sede e fome em excesso, garganta seca, vontade de urinar com mais freqüência, visão embaçada e cansaço podem ser sintomas de hiperglicemia. Também são sinais de alta taxa de açúcar no sangue, náuseas, glicose na urina e hálito cetônico. A hiperglicemia poder ser causada por doenças, excesso de alimentação, estresse físico ou emocional ou ainda erro na medicação ou insulina. Nesse caso, é recomendado que a pessoa verifique a glicemia no sangue, assim como as cetonas presentes. Além disso, é preciso beber muita água, seguir o plano alimentar e as doses de medicação indicadas pelo médico.

Consultoria do Dr.Luiz A. Turatti, médico endocrinologista especializado no tratamento de diabetes. As orientações contidas no site Comunidade Diabetes não substituem as orientações médicas dadas durante uma consulta, assim como não estabelecem qualquer diretriz de tratamento. É nossa recomendação que você consulte sempre seu médico.

Atividade Física e Diabetes

De maneira geral a atividade física tem efeitos fisiológicos contrários ao do sedentarismo. A composição corporal tende a piorar no sedentarismo devido ao aumento do tecido adiposo e redução de massa óssea e da massa muscular.

Todas as qualidades de aptidão física tendem a apresentar redução em seus níveis nas pessoas sedentárias, dificultando atividade diária e reduzindo bem estar psicológico e social. O fato dos efeitos do sedentarismo ser lentamente instalados, explica por que as pessoas sedentárias não costumam ter consciência de seus malefícios. Por outro lado, as pessoas idosas sentem os efeitos do sedentarismo nas limitações que encontram para a vida diária, e nas doenças crônicas manifestadas.

A atividade física é atualmente reconhecida como um importante fator promotor de saúde em todas as idades. Estudos epidemiológicos evidenciam que as populações fisicamente ativas têm menor incidência de doenças crônicas, entre elas a hipertensão, arterial, obesidade, diabetes tipo II, dislipidemia, osteoporose, sarcopenia, ansiedade e depressão. Consequentemente diminui a ocorrência de aterosclerose e suas conseqüências: doença coronariana, doença cérebro-vascular e doença vascular periférica.

Os efeitos positivos conhecidos da atividade física ocorrem devido a alguns mecanismos conhecidos e outros ainda pouco compreendidos. Entre eles estão o aumento do HDL-colesterol, redução dos triglicerídios, redução da pressão arterial de repouso, aumento da sensibilidade das células à insulina (Diabetes), maior gasto calórico, melhora da força muscular, melhora da estabilidade articular dinâmica.

O importante é que a menor incidência de doenças sistêmicas crônicas parece ter efeito comum em qualquer tipo de atividade física, pois a relação de melhora está ligada diretamente com o gato calórico, ou seja, quanto mais calorias forem gastas em atividade física habitual maiores serão os benefícios para a saúde.

O tipo de atividade física/exercício escolhido ou indicado para cada pessoa deve ser feito de acordo com alguns critérios: Faixa etária (criança, adulto, idoso), Sedentário, praticante de atividade física ou doenças pré-existentes.

E o objetivo de cada indivíduo dentro de um programa de atividade física deve ser levado em consideração, já que alguns têm um objetivo só de melhora da atividade de vida diária e outros em atividades de competição, mas todos sempre vão ter melhora da qualidade de vida que será o bem comum.

Ivaldo Camargo – Fisioterapeuta da Clínica Ortocity Serviços Médicos